Quando fui conhecer a Zâmbia em 2006 tomei um 'baita' susto ao ver as pessoas limpando as ruas da cidade com uma espécie de vassoura de piaçava sem cabo, numa posição que dói a coluna só de olhar.
Para minha surpresa, nossa recém contratada ajudante do Lar fazia todo o trabalho doméstico nessa mesma posição, com o agravante de ter que lavar toda a roupa da casa na banheira. Sim, pasmem. Por lá não é comum ter tanque nas casas.
Para fazer algo a respeito fui ao mercado e comprei vassoura e do Brasil levei rodo (marido havia me dito que por lá não existia). De nada adiantou, o que ela gostava era de trabalhar assim e assim ela ficou até janeiro de 2007 quando cheguei de mala e cuia com as crianças.
Acabou que ela não se adaptou a mim e nem eu a ela.
Fiquei um ano sem nenhuma ajudante, compramos máquina de lavar roupa e nos mudamos para um flat com tanque. Quando finalmente consegui aulas regulares de inglês decidi por uma nova tentativa. E aí chegou a Maggie, que ficou conosco até nosso último dia na Zâmbia. Um amor de pessoa, mas gostava (estava acostumada) de fazer todo o trabalho nessa posição. A base de muita conversa, compra de vassoura, baldes, bacias e panos de chão, consegui tirar um pouco esse costume dela. Mas era só eu marcar bobeira que lá ia ela com as roupas dentro da bacia lavar de cócoras no jardim.

Aqui na RD do Congo, apesar de menos comum às vezes vê-se alguém na rua limpando com essas vassourinhas. Nana, nossa atual ajudante é jovem e saudável e faz o serviço assim e de nada adianta o rodo que temos em casa. O que ela gosta mesmo é de passar o pano molhado e depois vir secando na mesma posição. Não sei como aguenta. Mas costumes são costumes e aprender a respeitá-los é exercitar a tolerância, mesmo quando se tem a certeza que há outro modo mais simples para executar a mesma função.

Passar boa parte da vida assim não deve ser brincadeira.
Tolerância
T olerar significa mais do que aceitar
O que temos dificuldade em compreender
L imita a capacidade da relação dialógica
E stabelece fronteiras entre aceitação e rebeldia
R equer boa dose de paciência e transigência
A bre caminhos para o entendimento e harmonia
N a livre escolha e arbítrio de cada pessoa
C eder de forma racional e ponderada
I nda que os fatos e o coração endureça
A chave para uma relação madura é a tolerância.
(AjAraújo)
O que temos dificuldade em compreender
L imita a capacidade da relação dialógica
E stabelece fronteiras entre aceitação e rebeldia
R equer boa dose de paciência e transigência
A bre caminhos para o entendimento e harmonia
N a livre escolha e arbítrio de cada pessoa
C eder de forma racional e ponderada
I nda que os fatos e o coração endureça
A chave para uma relação madura é a tolerância.
(AjAraújo)
Beijocas e boa quinta-feira, já???
Oi Taia
ResponderExcluirOs costumes não são iguais, então nesta hora, o respeito e a tolerância precisamos por em prática.
Talvez o que seja mais confortável para nós não seja para elas. Fazer o quê? Aceitar.
No meu caso, iria ficar arcada direto, travava. rsrs
Será que é a idade?
Bjs no coração!
Nilce
Exatamente Nilce...mas é triste ver uma menina acabando com a coluna desse jeito. Nem invento que travo...rsrsrsrs. Beijocas!
ResponderExcluirOie Taia. Aqui também é a mesma coisa, se bem que as pessoas já se vão acostumando a outros objectos de limpeza. Mas tanques são muito comuns, aqueles tanques pesadões, grandes, de cimento (será?). Na minha casa há um enorme. A verdade é que alguns africanos (depende dos países e das culturas) têm mais resistência nas costas, tudo isso por causa da neneca, ou seja, de, em criança, serem carregados nas costas pela mãe. Já se provou que isso faz muito bem para o desenvolvimento físico da criança, tanto que eles começam a andar mais cedo. Para nós pode ser difícil perceber, mas eles lá sabem qual é a melhor posição para trabalharem...
ResponderExcluirAcabei não falando sobre isso no texto Cat, mas na Zâmbia e aqui as mulheres também carregam no quicuembe seus bebês. Inclusive os bebês das patroas. Mas discordo contigo com relação a andar antes, acho que eles demoram mais...pelo menos isso é o que eu observo. Mas certamente a criança sente-se mais protegida, chora menos e isso de algum modo deve refletir no temperamento. Beijocas!
ResponderExcluirCansei so de ver, devem ter uma boa flexbilidade.
ResponderExcluirE verdade nao da pra muda-los, e sim aceita-los.
Bjs..e cuida com as cobras, fiquei aqui em arrepios.
Neste caso, talvez não haja discurso sobre mudanças de paradigmas que resolvam o caso... a aceitação, a tolerância com uma boa dose de caridade é receita certa para a convivência em harmonia... Gostei desse texto, posso passar para o coordenadores da catequese da minha equipe? (com os devidos créditos, hehehe)
ResponderExcluirbeijinhos
do quarteto
Oi Taia,
ResponderExcluirNossa, esta posição é fogo!!!Mas fazer o que, costumes são costumes e só nos resta tolerância e paciência, atributos que temos que treinar todos os dias...
Que medo desta cobra negra, uiii!!!
Beijos e se cuidem.
Jud-artes.
Nat querida eu nunca ia poder trabalhar assim, sofro do nervo ciatico e fico dura só de ficar sentada de forma errada a maior parte do dia, e habitos errados . Imagina essas mulheres mais tarde , como vai ser ??? Pobres nem imaginam a dor rsss.
ResponderExcluirE cuidado com as cobras heim, fiquei apreensiva.
Bjs
Leila
Olá Tai
ResponderExcluirEstou desde segunda em casa de atestsdo por conta do nervo ciatico,cheia de dores.
Só em ver estas "fortes mulheres" me arrepiam!
Interessante como elas são fortes.
É amiga,nós que vivemos em outros continentes,temos que aprender a observar,ouvi,calar e ter muita tolerância!
Cá já é diferente,tudo muito modernizado até demais da conta,é maquina para tudo e todos!
Já compras-te tua galocha?
Não saia mas de Havainas viu menina,te cuida!
bjkas
Bjs
Leila
Caramba! Se eu ficasse assim por alguns minutos seria difícil voltar ao estado ereto. Só de ver já dói as costas, cruzes!
ResponderExcluirMas, como você bem disse, exercer a tolerância, de ambos os lados, principalmente com as pessoas que fazem serviços braçais pra nós, é algo de grandioso e bastante generoso também.
umbeijo grande, carioca
Estou sempre viajando e aprendendo com você.
ResponderExcluirEu também não aguentaria essa posição, travaria mesmo.
Tolerância realmente é tudo.
Beijo.
Ameiii o post Taia! Concordo muito e tô encantada com as fotos tão reais!
ResponderExcluirBoa 5ªfeira com cara de segunda p/vc! rs! =)
Ameiii o post Taia! Concordo muito e tô encantada com as fotos tão reais!
ResponderExcluirBoa 5ªfeira com cara de segunda p/vc! rs! =)
Costume é costume, mas q esse é um costume sacrificante isso é.
ResponderExcluirSorte para vc com a cobra.
Engraçado,ja tinha mesmo notado em tudo o assisto que elas tem o costume de ficar nesta posição para trabalhar.As costas já devem ter se acostumado,sabe que mesmo aqui no Brasil a costumes que não se consegue tirar facilmente...eu tinha uma ajudante Nordestina,uma pessoa muito boa,trabalhadera ao extremo,todo dia pela manhã quando ela chegava,fritava ovo e carne e fazia uma farofa...comia isso tomando cafe..rsrsrs,não que eu não goste...adoro,mas as 08:00 da manhã?...costumes.
ResponderExcluirBjs
Deusa
Olá Natália
ResponderExcluirVim lhe contar um segredinho, na próxina semana haverá outro sorteio de uma joia exclusiva.
Bjoooooooooooo............
http//amigadamoda.blogspot.com
Uffa, dá dor na coluna só de olhar...será que a coluna do povo daí não dói não? Ninguém tem hérnia de disco? Que coisa...beijos,
ResponderExcluirOlá, querida
ResponderExcluirAté para os de debaixo do nosso teto precisamos de tolerância... que dirá aos mais distantes???
Abraços fraternos de paz
É verdade Wanilza, há que aceitar...mas fico com pena, fico tentando oferecer comodidade...só que quase nunca adianta. Beijocas!
ResponderExcluir*************
Sim Jud, são costumes...o que é errado para nós é certo para eles e vice-versa. A black mamba é para ser temida mesmo, perigossísima. Beijocas!
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Leila minha flor, a média de vida aqui é baixíssima 46,5 e apesar de ter menos qualidade de vida ainda é maior que na Zâmbia. Difissílimo ver idosos por aqui. Uma pena! Beijocas!
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Patrícia, os negros tem uma musculatura mais rígida...mas essa posição é ingrata para quem quer que seja. É um conjunto de fatores, posição, sol quente, má alimentação, falta d’água...enfim, não deve ser brincadeira. Melhoras para você, já providenciei a galocha, mas só a trarei em abril...até lá, cuidado! Beijocas!
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Isso é o que mais me abala Beth, ver alguém perder a saúde para me servir. Fico tentando ajudar de algum modo, mas costumes e a língua são fatores de impedimento fortíssimo. Beijocas!
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Obrigada pelo carinho Carine...beijocas!
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Aqui é um bálsamo’ para quem gosta de fazer imagens num ambiente bem natural e rude Mari. Beijocas!
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Kell minha flor, é verdade. Nem me fale em cobra, quase não fui ao restaurante depois da palestra...rsrsrsrs. Beijocas!
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Eita Deusa, não se ‘aperrei’ porque marido adora um ‘quebra-torto’ e nem é as oito e sim as cinco e trinta da manhã... Every day he eats this...kkkkkkkkkkkkkkk. Valei-me! Beijocas!
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Obrigada pelo convite Kinha, beijocas!
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Sei não viu Glorinha, mas só sei que morre-se muito jovem pelas bandas de cá e acredito que certamente esse tipo de conduta faça com que eles fiquem mais fracos. Imagine só, má alimentação, falta de água potável, SIDA, malária e por aí vai...triste, muito triste. Beijocas!
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Tens razão “Orvalho do Céu”...e as vezes toleramos mais os outros do que os nossos...vai entender. Beijocas!
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