Redirecionamento

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eu etiqueta


Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome... estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, permência,

Indispensabilidade,

E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-la por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo,

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer principalmente.)

E nisto me comparo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

Meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo dos outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mas artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.

(Carlos Drummond de Andrade)




Noutro dia marido e eu estávamos discutindo o gosto por Literatura, adoro folhear livros de segundo grau. Aliás, costumo ler de tudo...até mesmo rótulo de shampoo (mas isso não vem ao caso), conversa vai, conversa vem e daí ele me disse que gostava dessa poesia de Drummond "Eu etiqueta". Fiquei matutando como mudamos nosso modo de pensar, como amaduremos ou retrocedemos. Na década de 90 tive uma Loja Multimarcas. Vendia inúmeras grifes: Zoomp, Triton, Vide Bula, Einstein, Varal, Antishock e por ai vai. Boa parte dessas marcas já não existem ou caíram em decadência. O melhor jeans que existia no Brasil era sem dúvida os do Renato Kherlakian (Zoomp). Tive oportunidade de ir ao alto da Penha em São Paulo onde o estilista Tufi Duek tinha o showroom da Forum e Triton, lá fechei diversas coleções, conheci um pouco do universo fashion e hoje em dia não tenho muito "tesão" por essa área.

Atualmente me visto de forma muito simplória, adoro uma havaiana, mas não abro mão de um bom óculos e um bom perfume.


Ainda pretendo ter minha Louis Vuitton, mas se não encontrar uma que me agrade, continuarei viajando com minhas bolsas de pano sem problemas.


E por falar em viagem, procuramos sempre Hotéis com boa infraestrutura. Nada de fazer mochilão, já passamos da idade de achar isso divertido. Gostamos de conforto e principalmente segurança.



Adoramos um arroz com feijão, mas nem por isso abrimos mão de alguns objetos de desejo. Como diz uma amiga minha: há que fazer uso responsável do que conseguimos construir ao longo da vida. E as prioridades divergem de família para família. Não costumamos gastar grana com roupas de grife, mas adoramos sair para comer fora e pegar um cineminha, flores naturais pela casa, roupa de cama de algodão. É como diz minha mãe: gosto e c# cada um tem um...rsrsrs. Mamãe adora soltar um palavrão. Conta aí no que vocês costumam investir e quais os objetos de desejo?
Beijocas e boa quarta-feira.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cabelos brancos...


...assumi-los ou não?! Há um ano optei por deixar meus cabelos no tom natural, isso porque vivendo aqui na RD do Congo não tenho como frequentar um bom salão, também não faço a linha "mulherzinha" no quesito habilidades estéticas.
O tema que incomoda dez em dez mulheres deixou de ser problema para mim a partir de uma conversa com meu marido. Perguntei-o se o incomodava deixar meus brancos naturais e ele fofo como sempre disse que não. A mim muito menos.
Se estivéssemos no Brasil ou em qualquer outro país com melhor infraestrutura, talvez os assumisse mais tarde. Mas em se tratando daqui, prefiro um grisalho bem cuidado a um colorido mal pintado.
Eu uso Celso Kamura anti-age shampoo e condicionador Silver para não deixar amarelar. No Brasil ainda é um tabu grisalho para mulheres, enquanto para os homens é charme, para nós é desleixo. A reação da minha mãe foi contra, ela é adepta do acajú até hoje aos 7.1 e fica ótimo para ela.

Já meus filhos acharam bacana, especialmente a caçula. Na aula de inglês a professora tocou no assunto, dizendo que apenas as mulheres poderosas assumem os fios brancos. Ela imediatamente respondeu: Minha mãe é uma delas.
Nada contra quem pinta ou arranca, no meu caso especificamente decidi usá-los e não me arrependo. Pode ser que um dia volte a pintá-los, porque não?

Em terras tupiniquins tivemos Cassia Kiss usando-o para interpretar o personagem Zilda em Eterna Magia

Vera Holtz maravilhosa interpretando Violeta em Três irmãs

A fofa Deise Novakoski também é uma das adeptas

Lá fora temos a assumidíssima Jamie Lee Curtis

Kristen McMenamy com suas longas madeixas brancas

Meryl Streep vivendo o personagem Miranda Priestly em O diabo veste Prada

Dá pra dizer que alguma dessas mulheres é feia? Feia para mim é a Cher, a Gretchen. Mas a Sonia Braga continua belíssima com suas madeixas negras. Cada um é cada um.

Beijocas e bom início de semana.



sábado, 25 de setembro de 2010

Essa semana...


...nem cheesecake me levantaria. Visitei os blogs amigos, mas não pude dar uma palavra de apoio, um abraço, um afago em praticamente nenhum. Não saudei a Primavera, não fiz nenhum doce com exceção de muffins com blueberry (de caixinha). Definitivamente eu não fui uma boa companhia, nem mesmo para mim. Peço desculpas, mas a cólica e uma dorzinha de cabeça insistente me pegaram, tiraram meu ânimo e me deixaram com o astral lá no tornozelo. Pobre marido sempre paciente e amável. Semana que vem, se Deus quiser e ele há de querer, estarei bem. Obrigada pelo carinho e me desculpem pela ausência. Beijocas e bom final de semana!


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Que Você Quer?

Raul


Rita Lee

Composição: Roberto de CarvalhoArnaldo Antunes

O que você quer
Você não deixa de querer tão fácil
Bêbado você ainda quer
Em perigo você quer
Perdido, ainda quer
O que você quer

O que você quer mesmo
Permanece em você, todo mundo vê
Na cadeia você não deixa de querer
No hospício não deixa de querer
No inferno, ainda quer
O que você quer

O que você quer
O que você quer de verdade
O que você quer
O que você quer de verdade
O que você quer (o que você quer)

O que você quer
Estará com você quando você se lembrar
O que você quer
Estará em você quando você não se lembrar

O que você quer

Não perde no baralho
Dinheiro não compra
Conselhos não matam
O tempo não toma, o que você quer

Cego você continua querendo
Velho você continua querendo
Onde você estiver continua tendo
O que você quer






















Gabriela e Natacha

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Reutilizar...


...esse é o conceito em voga aqui em casa. Não que eu não o fizesse antigamente, é que pelas bandas de cá o "buraco é mais em baixo". Quando morávamos na Zâmbia, a casa era por nossa conta. Então a mobiliamos, compramos coisas fofas, escolhemos carinhosamente, porque sabíamos que no final do contrato teríamos nosso container para enviar nossas coisinhas ao Brasil. Aqui na RD do Congo é diferente. A casa é da empresa, mobiliada, com roupa de cama, mesa e banho, utensílios básicos para a cozinha. Nada de liquidificador, batedeira, espremedor de fruta, essas coisinhas que facilitam o nosso dia a dia. Temos o básico. Isso porque o restaurante do condomínio oferece café da manhã e jantar. Mas somos brasileiros e precisamos almoçar, sendo assim optamos por comer em casa e nesse caso, já que cozinho preciso de mais utensílios, preciso de ingredientes, preciso principalmente de paciência para conseguir ajeitar tudo. O que antigamente eu daria a nossa ajudante para assuntos aleatórios do Lar, aqui eu guardo porque sei que encontrarei utilidade no futuro.

Copos de requeijão - USD 8

Não acredita? Olha aí.

Para quando as flores voltarem, vidros de azeite.

Vidros de azeitona viram porta tempero e as latas de concentrado de frutas que marido adora viraram suporte para colheres e facas.

Até que ficou bonitinho.

O saco de arroz virou um puxa-saco.

E as receitas que pego nos blogs marco em papel de recado dos hotéis que frequentamos.

A vida aqui é muito diferente de tudo que estamos acostumados, encontro morango, mas banana não. Encontro requeijão, mas leite condensado não. Encontro creme de leite sabor mel, mas mel não. Encontro macarrão, mas flores não. Encontros, desencontros, vida regrada, vida bem vivida. Minha vida, nossa vida.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O final de semana guloso...


...vai exigir que eu intensifique os treinos na Academia e na Capoeira...rsrsrs. Peguei uma receita de Torta de banana AQUI no blog "Fala mãe!" da Cynthia Le Bourlegat, se não me engano sugerida por alguém (talvez a Tati) e a adaptei para o que eu tinha, no caso maçã...banana é uma fruta tão simples, mas não tenho encontrado. Para a torta não ficar seca, cozinhei a maçã com um pouco de açúcar e reservei.

Preparei um creme confeiteiro (na receita original não tem).

A massa para a base (margarina, trigo e açúcar) é como se fosse preparar um farofa para Cuca alemã acrescida de ovo.

Adooooooooooooro creme confeiteiro.

Dispus a maçã cozida.

Fiz umas tranças feias...rsrsrs. (tomara que nem um confeiteiro veja isso).

Assei por 45 minutos a 180 °C até ficar dourada.

E pronto, agora é só corre pro abraço. Sem canela porque marido odeia.

Para o almoço de sábado, risoto de frango com tomate cereja (para dar cremosidade acrescentei duas colheres de requeijão e cubos de queijo mussarela).

No domingo partilhamos o último pacote de feijão preto com nossos amigos, Rocio e Itamar trouxeram um pernil de porco defumado, eu tinha joelho e logo a feijoada saiu. Trouxeram ainda um gelado de goiaba e Anisado Vicente Bosch (destilado feito na Espanha), Vera e Renato trouxeram arroz e os meninos Claudio e Hallen trouxeram farinha, cachaça Sapupara e Ypióca...marido e eu não tomamos bebida alcoólica, fomos de suco de abacaxi...rsrsrs.
Para arrematar um café extra forte e muita risada.

O domingo foi maravilhoso e ajudou-me a não me descabelar com o retorno da prole do Rio Grando do Sul para Minas. Já estão todos em casa sãos e salvos! Amém!

Beijocas e boa segundona!

***********************************

E não é que foi a Tati mesmo quem havia me mandado a sugestão para a torta:

Oi Taia, fico admirada com a mágica que você consegue fazer aí, com tão poucos ingredientes e capaz de fazer pratos incríveis! Você viu a torta de maçã/banana que a Cynthia (Fala mãe!) postou hoje? Acho que essa também dá para fazer aí. Estou pensando em fazer aqui! Cara de muito boa, e molinha, molinha!



sábado, 18 de setembro de 2010

Meus últimos posts...


...tem sido praticamente sobre culinária...é o que me resta fazer em terras congolesas. Digamos que a vida por aqui tem sido lenta, sem sustos. O que me falta são ingredientes, mas nada que um jeitinho aqui e ali não solucione grande parte de meus problemas. Jantarzinho a dois, Yakissoba com black tiger...boooooooooom! Para o final de semana teremos feijoada e de sobremesa "Tarte au pommes". E temos que saborear bem porque vou usar nosso último pacote de feijão preto, o dividiremos com os amigos e certamente sobrará apenas uma panela vazia.

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

(Carlos Drummond de Andrade)


Agora o que me deixa triste e consome minhas energias é essa ausência de chuva e consequentemente de flores para por dentro de casa. (Clique nos links e veja como essa casinha já foi florida noutrora)

Aqui não tem floricultura, então marido e eu vamos é no mato mesmo coletá-las.

Só nos resta aguardar a chuva e observar o sol se pondo em terra seca.

Beijocas a todos e bom final de semana!



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Internet lenta


Ando sumida dos blogs amigos porque estamos com problema na internet. Quando consigo um sinal melhor dou prioridade para responder aos comentários feitos aqui no blog. Assim que as coisas normalizarem coloco as visitas em dia. Beijocas e boa sexta feira!




quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Na quarta colônia...


A molecada chegou bem Graças a Deus. Filha mais velha mandou um recado fofo: "yeah mae, chegamos em santa! o bus oferece wi fi, outro mundo essa quarta colonia! hahaha. [...] li o blog, fica tranquila, eu cuido de tudo! amo voces".

Rsrsrsrs...cria fofa essa minha. E por falar em cria, Meyre (mana do maridão) e Roberto nosso cunhado receberam ontem a benção do nascimento da Emanoely. Deus os abençoe todos os dias!

Beijocas a todos e boa quinta-feira.


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