...esse é o conceito em voga aqui em casa. Não que eu não o fizesse antigamente, é que pelas bandas de cá o "buraco é mais em baixo". Quando morávamos na Zâmbia, a casa era por nossa conta. Então a mobiliamos, compramos coisas fofas, escolhemos carinhosamente, porque sabíamos que no final do contrato teríamos nosso container para enviar nossas coisinhas ao Brasil. Aqui na RD do Congo é diferente. A casa é da empresa, mobiliada, com roupa de cama, mesa e banho, utensílios básicos para a cozinha. Nada de liquidificador, batedeira, espremedor de fruta, essas coisinhas que facilitam o nosso dia a dia. Temos o básico. Isso porque o restaurante do condomínio oferece café da manhã e jantar. Mas somos brasileiros e precisamos almoçar, sendo assim optamos por comer em casa e nesse caso, já que cozinho preciso de mais utensílios, preciso de ingredientes, preciso principalmente de paciência para conseguir ajeitar tudo. O que antigamente eu daria a nossa ajudante para assuntos aleatórios do Lar, aqui eu guardo porque sei que encontrarei utilidade no futuro.
Copos de requeijão - USD 8
Não acredita? Olha aí.
Para quando as flores voltarem, vidros de azeite.
Vidros de azeitona viram porta tempero e as latas de concentrado de frutas que marido adora viraram suporte para colheres e facas.
Até que ficou bonitinho.
O saco de arroz virou um puxa-saco.
E as receitas que pego nos blogs marco em papel de recado dos hotéis que frequentamos.
A vida aqui é muito diferente de tudo que estamos acostumados, encontro morango, mas banana não. Encontro requeijão, mas leite condensado não. Encontro creme de leite sabor mel, mas mel não. Encontro macarrão, mas flores não. Encontros, desencontros, vida regrada, vida bem vivida. Minha vida, nossa vida.
