Redirecionamento

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Viver...


...no Congo não é moleza não. Nem para nós expatriados, nem para os nativos que matam um "leão" por dia para poder ter o pão de cada dia. (Foto: Claudio Jr.)

Em julho fará dois anos que marido trabalha aqui, no começo prestando assessoria e nos últimos meses vivendo de fato e direito. Temos visto, permissão de trabalho, habilitação local, casa, carro e levamos uma vida relativamente normal. Mas não arriscamos trazer nossos filhos, primeiro pela falta de estrutura, segundo pela "insegurança" imposta pela história. Dá década de 60 até 2000 a República Democrática do Congo foi marcada por violência e combates sangrentos. Milhões de civis foram massacrados e o país foi levado à ruína. Para se ter idéia a primeira eleição geral foi no final de 2006. O país busca se reestruturar e o povo agradece. Marido sempre chega com histórias contadas pelos nativos. Eles dizem que era um inferno, trabalhavam como escravos para manter o governo e se alguém não gostasse de você, delatá-lo seria o caminho. Ainda que fosse mentira. Mas as riquezas continuam sob esse solo e devagar as grandes empresas internacionais vão se instalando. Mas as cicatrizes deixadas são profundas. Precisa-se de muita boa vontade dos nativos e dos expatriados para que o Congo torne-se um lugar agradável. A cidade, já mostrada aqui vai ganhando asfalto novo, novos empreendimentos, residenciais, postos de trabalho vão se abrindo e as condições de vida melhorando. Quando marido veio pela primeira vez, inventou de tirar uma foto no Aeroporto e quase foi detido. Não pode, é proibido. Susto. Temos que nos adaptar. A foto não foi confiscada e registrou o momento de entrada do marido no país e o surgimento dos meus cabelos brancos. (Foto: Juan Carlos Ocampo)

O "botecão" ao qual eles chamam de Aeroporto é isso. Ontem registrei de longe. Não se engane com a simplicidade e falsa calmaria. Dia de semana pega fogo, é um entra e sai sem fim de pequenas aeronaves. Como as estradas são praticamente intransponíveis, para homens de negócio com pressa e funcionários que precisam ter seu tempo maximizado o transporte aéreo é a solução. Só a empresa que marido trabalha tem um vôo semanal para a África do Sul e mais três para a Zâmbia.

Mas os conflitos deixaram cicatrizes que estão aí para quem quiser ver.

Elas ficam a caminho do Aeroporto e toda vez que passo, inevitavelmente sinto medo.

Graças a Deus estamos numa região onde os conflitos foram relativamente pequenos e está longe do estopim ao Norte do país. Segundo informações há uma barreira da ONU entre essa região e a nossa e a distância também é grande, aproximadamente 4000 Km. Em Lubumbashi é comum vermos aviões da UN. Em dois anos muitas coisas mudaram no quesito infra-estrutura, construções vão surgindo, as pessoas andam pelas ruas tranquilamente, são educadas e a paz parece reinar.

Esse futuro "alguma coisa" fica bem próximo ao nosso condomínio, acredito que será um residencial

Construções maiores para os mais abastados.

E construções menores, nem por isso menos importante para o desenvolvimento da cidade. Qualquer dia desses vou tentar fazer fotos das zonas periféricas.

Acredito que a melhor forma de sentir que as coisas vão se ajeitando é apreciando o sorriso da molecada. Elas sempre fazem graça quando passamos.

Quando pensamos que temos problemas e vemos a dura realidade de alguns povos africanos, nos damos conta de que a vida tem sido muito generosa conosco. Deus abençoe o povo congolês e a todos nós. Beijocas e bom início de semana.


sábado, 19 de junho de 2010

Senta...


...que lá vem história. Saímos de Sharm el Sheikh embaixo de um calor considerável. Resolvi viajar de vestido e sandália. Na bagagem de mão coloquei uma pashmina e um casaco. Tudo certo caso não tivéssemos chegado a Johannesburg sob um frio de 6 °C. Chegamos ao City Lodge e nosso quarto ainda não estava pronto. Nossa bagagem foi encaminhada ao guarda-volume e seguimos para o Restaurante, nos sentamos próximo a calefação e tomamos um café da manhã gostoso. Achando que não demoraria a espera, decidimos aguardar na recepção. Minha temperatura começou baixar e o frio se instalou. Uma senhora sul-africana que estava esperando pelo esposo pediu ao rapaz que a acompanhava ir ao carro buscar algo. Ele veio com uma pashmina na mão e ela me entregou. Fiquei envergonhada, mas muito feliz com a gentileza daquela desconhecida. Aqueci minhas mãos e trocamos algumas palavras. Quando finalmente o esposo saiu da conferência ela não quis de modo algum a pashmina de volta. Fiquei ainda mais envergonhada e tentei de todo modo devolvê-la. Porém não teve modo dela aceitar. Naquele momento fiquei rubra e meu corpo esquentou um pouco mais. Moral da história: a humanidade ainda tem salvação. Ainda há quem faça o bem sem olhar a quem. Provavelmente nunca mais a verei, mas com certeza não esquecerei jamais do ato daquela senhora.

Depois de quase três horas conseguimos finalmente ir para nosso quarto.

É bem mais refinado que os quartos do Egito. Já disse algumas vezes como a hotelaria sul-africana e zambiana é superior às que encontramos na Itália e agora no Egito. Levando em consideração o mesmo número de estrelas obviamente.

Desde! Desce!

Acho que vou puxar...Ih fui pego no flagra!

Disfarça!

Ebaaaaaaaaaaaaaaa é elétrico!

Aí...Gostei disso!!!
[Criança é assim, não pode ver nada diferente que começa a brincar...rsrsrs. Mas foi uma novidade, nunca havíamos visto isso. Perdi as contas de quantas vezes marido abriu e fechou essa janela...rsrsrs].

No outro dia logo cedo fizemos nosso check-out para voltarmos ao Congo. Repare que era dia 11, dia do jogo de abertura da Copa e os funcionários estão vestidos com a camiseta sul-africana. Brúúúú.

Fiz poucas fotos e ainda saíram ruins. O Lodge é bom, mas prefiro o Emperors Palace. Gosto de frequentar Hotéis que incluem tudo na tarifa. Esse negócio de ter que ficar pagando translado internet e outras coisas por fora não está com nada. Mas esse foi o único onde conseguimos vaga para essa data.

Mais agasalhados seguimos nossa viagem.

Marido é ninja em tirar foto olhando para o lado...rsrsrs.

E assim terminou nossa viagem. Obrigada a aqueles que nos acompanharam. Ao todo fizemos mais de 1000 fotos, difícil foi compilar texto e imagem. Foram tantas as emoções, as sensações despertadas por esse passeio. E para você que está chegando agora saiba do que estou falando aqui, aqui, aqui, aqui e aqui...rsrsrs. Beijocas e até a próxima aventura. Ainda estamos decidindo o destino, mas sabemos que será em outubro.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sobre trânsito, impostos e mulheres...


...ou melhor, sobre as mulheres mulçumanas. Antes de viajar fiz uma brincadeira aqui por causa do meu guarda roupa "pobrinho". Não foi um texto preconceituoso, mas ignorante. Para mim, tudo que cobria o rosto era burca e na verdade não é. Nossa guia Rowaida Ezzat, nos explicou um pouco sobre o universo feminino mulçumano. Ela faz uso do Hijab, véu que cobre cabelo e colo. Outras usam o Xador e há ainda as que fazem uso do Niqab. Mas não errei sobre o burquini, aliás, em Sharm el Sheikh havia uma moça fazendo uso dele. Rowaida nos explicou que quem decide sobre qual traje usar é a mulher, isso não significa que elas deixem de ser vaidosas e belas. E dentro de casa elas se descobrem para os maridos. Os trajes servem para espantar a cobiça de outros homens. Mas também acabam por afastar as mulheres do mercado de trabalho.

O Cairo é uma grande metrópole e como tal sofre com o crescimento desordenado, falta de infra-estrutura, trânsito caótico e outras mazelas que infernizam a vida nas grandes cidades.

Mas é apaixonante ver esse caos (dois dias são suficientes) como turista.

Da sacada no Hotel observávamos o trânsito, veja que eles seguem cada um a seu modo. Sem contar as buzinadas, os motoristas dirigem com uma mão no volante e outra na buzina. Barulho parecido com as vuvuzelas...rsrsrs.

Mas o Cairo também pode ser romântico. Quem aí se habilita em fazer um passeio de carroça? Tô fora, nem em Tiradentes o fiz...imagine no meio dessa balbúrdia.

Para nós foi divertido, mas acredito que pegar um trânsito desse todos os dias para ir trabalhar não deva ser tão legal assim. Olhe a Cairo Tower lá atrás, tão lindaaaaaaaaaaaaa. A torre é coroada por uma plataforma circular de observação e um restaurante giratório, uma rotação completa leva aproximadamente 70 minutos.

Faixa de pedestre para quê? As pessoas se arriscam entre os carros. A frota é antiga e os carros amassados. O que tem de Fiat 127 e 147 não é brincadeira.

Mas há também muitas árvores.

Tai um Fiat 128 pra não me deixar mentir.

As pirâmides estão cercadas, a cidade cresceu e quase avançou sobre uma das sete maravilhas do mundo antigo. Agora só falta conhecer as outras seis...rsrsrs.

E os prédios com ruas estreitas entre si. Acredito que seja possível pedir uma xícara com açúcar para o vizinho pela janela de tão próximos que são...rsrsrs.

Outra curiosidade é que o Cairo é cinza, é marrom...não estou falando dos tons de terracota visto na Itália. Refiro-me a ausência parcial ou total do reboco em praticamente todas as moradias do Cairo (fora do centro da cidade).

São quilômetros de residências assim, nossa guia nos disse que é para não pagar imposto. Enquanto o morador não termina completamente a casa não paga. Ou seja, eles terminam por dentro e por fora deixa assim. Chega a ser interessante. No início pensamos: Nossa a construção civil está bombando por aqui...rsrsrs. Achávamos que não havia pessoas morando...rsrsrs. Já pensou se a moda pega aí no Brasil?

Terminei os posts sobre o Egito espero que vocês tenham curtido essa viagem. Todo lugar é interessante, mas nada como a segurança do nosso Ninho. O nosso fica no Brasil. Beijocas a todos e excelente sexta-feira.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Nossas compras...


...pelo Cairo começou no Mercado popular Khan el Khalili em busca de uma pedra para a Josi, trouxe um basalto (cinza) em forma de escaravelho (Scarabeus sacer) que era adorado pelos antigos egípcios. Lendo um post sobre a coleção de pedras que ela tem, acabei tendo uma grata surpresa ao saber pelo pai da moça (li nos comentários do post...rsrsrs) que o mineral faz parte da história da família.

Percorri as ruelas do mercado focada, nada de bugigangas. Já passei dessa fase de desbunde...rsrsrs. Queria batas para as meninas.

Na dúvida trouxe mais longas que podem se transformar em vestido ou cortar e diminuir o comprimento para usar como bata.

Esta é para a Gabi que está fazendo estágio no curso de Psicologia.

Já deu para notar que eu gosto de azul né?!

Para o Raul poucas opções, a menos que ele quisesse uma daquelas roupas tradicionais usadas pelos egípcios. Mas achei tão, tão simpática essa camiseta.

Bolsa para a Natacha, nossa caçula.

Detalhe do elefantinho.

A bolsa da Gabi já havia mostrado no post de ontem, hoje mostro só os detalhes. Não são fofos os camelos?

Já em Sharm el Sheikh compramos duas máscaras para enriquecer a coleção do marido.

Parece um veludo de tão macia a textura da pintura.

Para nossas mamães.

Nossas irmãs ganharão um pequeno porta-jóias.

E para nossos pais, mano e cunhados: chaveiros. Tudo bem simples, a cada viagem levamos algo para a primeira, segunda e terceira geração...rsrsrs. Pais, irmãos e filhos.

Já em Johannesburg marido comprou óculos da Oakley lindão e relógio da linha G-Shock da Casio. Gato, muito gato esse meu menino.

O relógio no detalhe.

Para as noites frias comprei um pijama de flanela e meias de vaquinha...adoroooooooooo!

Nossas máscaras de snorkel para treinar na piscina do condomínio para as próximas oportunidades de mergulho que tivermos.

Além dos papiros e essências, isso foi o que aumentou nossas mochilas que juntas não somaram 25 Kg...controladíssima essa mulher...rsrsrs. Mudando de saco para mala, há três dias Clémentine não aparece, está com febre, mas não consegui saber maiores detalhes. Estou preocupada. Preferi ficar sozinha nos dois primeiros dias, mas hoje não teve jeito. Mandaram-me um "papá" de no mínimo 60 anos e 1.50 m de estatura para fazer a limpeza. Fiquei envergonhada, uma bruta mulher do meu tamanho sendo servida por um senhor que poderia ser meu pai. Mas tem coisas que fogem ao nosso domínio e tive que aceitar, não posso intrometer-me na rotina dos empregados.

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Pessoas...daqui a menos de três semanas estamos aterrizando no Brasil para cobrir a molecada de beijos. Vamos para o Recanto dos Capoeiras. Que máximo, não vejo a hora. Preciso dessa injeção de ânimo para encarar mais três meses na RD do Congo. Rapadura é doce mais não é mole não Xo'mano! Beijocas a todos e boa quinta-feira! Cruzes...como o tempo está voando.


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