...nostalgia despertada por dois fatos que ocorreram ontem. Primeiro li um texto da Laély em blog alheio, no caso o Bicha Fêmea e logo em seguida fui à escola da menina caçula para a primeira reunião escolar do ano.
Fiquei encantada com a fala apaixonada da Coordenadora Pedagógica da escola e lembrei-me do tempo em que eu atuava na Academia.
Com um público mais que seleto: Indígenas. Estudei faculdade de Matemática e Engenharia Florestal, abandonadas pelas constantes mudanças. Apaixonei-me por ambas as áreas, mas a licenciatura é uma delícia.
Trabalhei por três anos na UNEMAT, Campus de Barra do Bugres na Faculdade Indígena Intercultural, onde cento e oitenta acadêmicos indígenas mato-grossenses e vinte de outros estados ingressaram naquela que foi a primeira Faculdade indígena na América Latina, com mais de trinta etnias.
Vou me ater a essas informações, quem tiver maior interesse pode conhecer o site da Instituição. Hoje, tenho me dedicado somente à família e não me arrependo apesar de sentir saudade.
A mulher atual exerce uma dupla, tripla jornada de trabalho. Cuida dos filhos, do marido, da casa, trabalha fora, prepara o jantar, corre o dia todo e de noite tem que se transformar em "mulher nova, bonita e carinhosa...".
Só quem é mulher pode entender o que se passa na cabeça de outra, as dificuldades, os anseios, a culpa, a dúvida, são sentimentos constantes que nos acompanham pela vida toda. Nunca estamos 100% certa de que estamos certas, sempre achamos que poderíamos ter feito melhor.
Acho que Deus quis me jogar num balaio multicultural e multidisciplinar desde pequena. Comecei a andar ainda bebê até a adolescência pelas regiões Norte e Centro-oeste em companhia dos meus pais.
Nasci em Roraima, vivi no Amazonas, no Pará, em Goiás, no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e em Minas, fui para a Zâmbia e agora caí na República Democrática do Congo.
Minha vida nunca foi normal, minhas raízes sempre se esticaram mais do que a da grande maioria. E o que eu ganhei com isso??? Tolerância, conhecimento e respeito ao próximo. Ilustro esse texto com algumas passagens da minha vida acadêmica/profissional.
Tenho bastante material bibliográfico guardado, de vez enquando saio com um livro embaixo do braço.
Área de Ciências Florestais, ameeeeeeeeeeei o tempo que passei pela UFLA.
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Gincana, índios X não-índios. No detalhe eu e Rivelino e embaixo eu e Nando (ele de menina e eu de menino, abafa).
Trabalhando. Eu, Elza e aluno Xavante.
Banco Karajá, um dos muitos artefatos indígena que temos em casa.
Esteiras Mehinako na varanda.

