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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Terminei...


...de ler o livro "O 11° Mandamento" é uma leitura densa, por vezes enfadonha para leigos como eu na área médica, a descrição de procedimentos cirúrgicos e anatomia humana deu-me essa sensação.
Em contrapartida, a descrição da Etiópia dos anos 60 e 70 não é muito diferente da que eu conheço hoje aqui na RD do Congo. Em alguns trechos pude montar em minha cabeça o cenário, visualizar a arquitetura, sentir revolta, medo e tristeza. O livro tem seus momentos de sensualidade, barbárie, amor, compaixão e fé. Consegue despertar várias sensações no leitor. Gostei.
Nas aulas de Francês temos nos aprofundado um pouco na história local do Congo através da vivência do nosso professor que é congolês. Percebemos a mágoa que ele têm dos belgas, das autoridades, do país que aprisiona seu povo na fome e na pobreza. Nossa região é rica em minério, boa parte da mão de obra especializada (para não dizer toda) é de expatriados. Da terra não sai alimento, não há tecnologia e nem sinal de que isso possa acontecer.
Para o povo fica emprego em áreas menos especializadas, o asfalto feito pela companhia, o hospital e outros benefícios. Mas a barriga de boa parte da população continua roncando, não há um dia eu que eu saia e não passe por um funeral, em sua maioria crianças.
Só Deus para ter piedade, porque se depender dos homens de pouca fé o futuro de alguns países da África continuará sendo o passado e o presente: fome e guerra civil mesclado a beleza natural e ao solo rico em minério. Noutro dia li no blog "Navegante do Infinito" da Astrid, a história da psicóloga brasileira Debora Noal (entrevista completa AQUI). Ela é um daqueles seres para o qual não achamos explicação, uma representação atual para o que talvez tenha sido os personagens do livro, Gosh e Hema.
Minha vida é 'bolinho' se comparada a tantas outras. O lugar em que vivemos não é dos mais fáceis, mas também tá longe de ser esse conhecido pela Débora. Ambas estamos nessa por vontade própria, cada uma escrevendo sua história. A minha registrada em forma de blog.
Se ela muda vidas humanas, nós mudamos a nossa, da nossa família e também um pouco a do nosso professor, da nossa secretária do Lar. Emprego para o primeiro, comida para a segunda. Pequenas contribuições, além das compras semanais nos mercados, na feira, no posto de combustível. Os trabalhos voluntários ficaram na Zâmbia, aqui ainda não me animei. Está completando três anos que marido trabalha aqui e ainda tenho receio. Não me adaptei por completo e continuo trancafiada em nossa redoma. Não sei se essa sensação de desconforto passará, a história de violência no Congo é recente e sinto-me aprisionada pelo medo. Penso que poderia fazer mais, mas não tenho vontade. Não me sinto pronta, sem falar o idioma que dificulta ainda mais as relações. Ainda não chegou o momento de vivenciar a realidade local e francamente não sei se um dia chegará.

Minha fiel companhia nesses dias de leitura reflexiva foi a nossa Espresso/Cappuccino coffee machine adquirida num mercado local por U$D 190,00 que apresento hoje a vocês. Pequenas futilidades que deixam meu dia mais agradável.

A próxima leitura será leve, VIPs por Mariana Caltabiano e o cafezinho certamente estará do lado.

Beijocas, boa sexta-feira, bom início do final de semana, dia dos namorados...etc.



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