...eu pergunto: Cadê Clémentine? A congolesa que fala suaíli e um "tiquinho" de português.

Perguntei logo cedo se poderia fotografá-la, ela se negou pois estava de uniforme. Disse que iria se arrumar para que eu pudesse tirar a foto e até agora nada...sumiu, tomou doril (leia com "sótaque" "báiano" "púfavor").
Muitos de vocês podem pensar como uma pessoa precisa da ajuda de uma empregada numa casa tão pequena. É que Clémentine é funcionária da Companhia (assim como meu marido), a Companhia é dona do condomínio onde moramos e portanto Clémentine faz parte do "pacote" de benefícios que temos, assim como jardineiro, eletricista, marceneiro e por aí vai. São uma série de profissionais que nos prestam auxílio nas pequenas avarias que ocorrem no dia a dia. Ontem conversei com o supervisor para ver se ela poderia vir três vezes por semana. A resposta dele foi negativa, dizendo que isso incitaria as outras a quererem o mesmo. O que não deixa de ser verdade. Então Clémentine estava aqui, lavando o que já foi lavado e limpando: o que já foi limpado ou limpo???
Tirou todas as louças e panelas do armário e as lavou, areou e as deixou "tinindo" de limpas. Clémentine ama Sapólio, tenho sempre que passar uma "aguinha" para eliminar possíveis resíduos. Ela também ama limpar janelas e todos os dias o faz. O banheiro também é lavado todos os dias assim como a varanda. Clémentine é que é mulher de verdade...hehehehe. Além de ser mulher de verdade, é bela e vaidosa. E solteira. O casamento não deu certo, não sei se isso é bom ou ruim. Nos casamentos daqui as mulheres são fadadas a servir aos maridos como empregadas e não como companheiras, muitas vezes trabalhando duro enquanto o bonito fica "jogando carta" ou na rua. Nada que também não aconteça aí no Brasil. "Vida sofrida" segundo Clémentine.
Hoje, após jogar fora as flores colhidas no domingo.
Clémentine mais do que depressa apareceu com um ramalhete. Amei a delicadeza, só espero que ela não as tenha pego no jardim do vizinho (apesar da quase certeza que sim).
Fiquei na varanda escrevendo enquanto ela estava na sala passando o aspirador de pó, sim ela aspira todos os dias. Então aproveitei esse momento de desconforto auditivo para observar o que havia em minha volta. Vi a mulher do Subashi (indiano) andando ao redor da casa. Vi Carolina (peruana) e Maria (sul-africana) preparando-se para ir às compras. Homens trabalhando na construção da quadra de esporte, jardineiros, empregadas, ouvi choro de criança e ouvi ainda mais à Clémentine enlouquecida com o aspirador

E assim o dia passa até marido chegar, e por falar em servir ao marido uma das coisas que tem me deixado feliz é ver meu menino indo trabalhar com sua "lancheira" recheada...hehehe. Hoje ele levou arroz, feijão, frango (Made in Brasil), banana da terra frita, saladinha de tomate/repolho, maça e pé de moleque de sobremesa. Parece pinto no lixo de tão feliz, depois de mais de um ano comendo pão no almoço finalmente têm tido uma refeição decente. É ou não é para ficar feliz?
Lá no MT temos um chavão: É bem Mato Grosso!
Uso-o com as devidas alterações aqui na casinha: Banana da terra, feijão preto e frango é bem Brasil...hehehehe.
Depois de pronto resultou nisso, para finalizar ovo frito misturado ao arroz. Tá, ok! Eu sei que o prato é de peão. Mas eu faço três refeições diárias, eu não como de três em três horas como os nutricionistas e nutrólogos indicam e também não repito. Agora falta evitar o refrigerante, aumentar a velocidade da esteira, começar a jogar Capoeira, ir ao salão, comprar roupas e sapatos novos, fazer peeling...hehehe. Ou seja, quase nascer de novo.
Lembram-se das flores (cor de rosa) que coloquei em casa no domingo???

Zininha do blog "Natureza...lindaaaaaa!!!!" ofereceu-me esse selo fofo em comemoração ao Dia das Mães com as mesmas flores. Amei! Dedico a todos que por aqui passam em busca de uma palavra amiga ou apenas atrás de diversão.
Boa quarta e muitas beijocas!
