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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Segunda-feira...


...preguiçosa. Já são 08:57 e eu ainda estou dentro do pijama com os pés envoltos numa manta. Tomei meu café forte feito na nossa nova aquisição, uma Espresso/Cappuccino coffee machine e um bolo de banana que eu peguei ontem de noite no Restaurante.
Desde quarta passada não caminho ao redor do condomínio por falta de companhia, mas tenho ido na Academia e caminhado os 6 Km na esteira referentes às três voltas que dou no Condomínio.
Hoje é o segundo dia de vestibular para o filhote do meio no Mato Grosso. A caçula tem passado frio para ir para a escola de manhã, mamãe não está lá para levá-la de carro e a bichinha vai de bicicleta ficando com o narizinho gelado, manhãs frias nas Gerais assim como em boa parte do Brasil.
Marido foi trabalhar, semana corrida pela frente. Final do mês chegando é sempre assim.
Aula de francês mais tarde, dezenas de verbos para estudar.
Pulei cedo da cama, primeiro para dar um beijinho de bom trabalho no marido e depois para que Michellin (nossa atual ajudante para assuntos do lar) pegasse a roupa de cama para lavar.
Pensar no que irei preparar para o jantar e ir na rua comprar alimento. Hoje não, talvez amanhã.
Um passo por vez, ducha para despertar e começar a semana.
Sem preguiça.
Porque a vida que se apresenta é essa...e eu gosto, gosto muito dessa lesera matinal. É quase um ritual, lembranças do final de semana, planos para a que está começando...gole de café forte enquanto ouço o movimento da poeira e de trabalhadores lá fora. É a vida, minha vida...

Beijocas e boa semana!

***********

O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

(...)

Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão de uma vida severina.

(Trecho da obra Morte e Vida Sererina - de João Cabral de Melo Neto)...Amoooooooo!


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