...Deus me presenteou com a benção da Maternidade. O pacote que recebi nos braços tinha olhos de jabuticaba, pouco cabelo e um tom de pele próprio das Gabrielas. Cresceu (não muito) tornou-se adulta, divertida, cabeça dura, ética e cada vez mais grudada conosco.

Foi uma criança independente. Terrível. Fugia para a casa da minha mãe em sua bicicleta rosa, subia nas árvores, dançava Michael Jackson, matava sapo, usou bota ortopédica, aparelho ortodôntico, fez conservatório de música, fez habilitação, aprendeu a pilotar moto, entrou na faculdade de Psicologia, vive as 'turras' com o curso, é amiga, verdadeira, manhosa, metida a mestre cuca e é nossa filha mais velha, mas tem horas que comporta-se como se fosse a caçula.

Quando completou dezoito anos, eu fui morar na Zâmbia e ela ficou em Minas. Medo, muito medo. Minha menininha de repente tornou-se mulher. Corajosa, numa cidade sem familiares, na faculdade, superando medos e aprendendo a ser gente grande.

Tem pinta de mocinha. Faz gênero, finge ser alternativa, mas é pati. Nariz arrebitado, monocova, mãozinha pequena, perfumes e creminhos.

Comigo pé no chão. Contas a pagar, notas da faculdade, broncas. Mas tenho sempre um cheirinho para ela.

Obrigada Senhor pela dádiva concebida. Se eu pudesse escolher um tipo de filha, ela seria tal e qual a Gabi é. Sem tirar nem por...hum...pensando bem talvez eu lhe desse uns 10 cm...e só.
Beijos filha, que seu dia seja abençoado. A mamãe sempre canta pra você dormir, mesmo de longe.
O Circo (Rita Lee)
Era uma vez um palhaço
Que andava sempre chorando
Por causa da bailarina
Que namorava o trapezista
Nem de pierrot nem de arlequim
Ela não via graça nele
Que se trancava no camarim
Até o circo acordar
Dentro do globo da morte
Alguém arrisca a vida
Por um minuto de glória
Pra esquecer toda tristeza
O engolidor de espadas quer
Arrepiar todo cabelo
E a obediência dos animais
Faz a platéia dizer oohh!!
Um dia a mulher barbada
Que era gamada no domador
Chamou o mágico e disse faça:
Abracadabra pra virar amor
Mas nem sempre é possível ter
Um final feliz pra animar
E lá no meio do picadeiro
O show não pode parar









