...no Congo não é moleza não. Nem para nós expatriados, nem para os nativos que matam um "leão" por dia para poder ter o pão de cada dia. (Foto: Claudio Jr.)

Em julho fará dois anos que marido trabalha aqui, no começo prestando assessoria e nos últimos meses vivendo de fato e direito. Temos visto, permissão de trabalho, habilitação local, casa, carro e levamos uma vida relativamente normal. Mas não arriscamos trazer nossos filhos, primeiro pela falta de estrutura, segundo pela "insegurança" imposta pela história. Dá década de 60 até 2000 a República Democrática do Congo foi marcada por violência e combates sangrentos. Milhões de civis foram massacrados e o país foi levado à ruína. Para se ter idéia a primeira eleição geral foi no final de 2006. O país busca se reestruturar e o povo agradece. Marido sempre chega com histórias contadas pelos nativos. Eles dizem que era um inferno, trabalhavam como escravos para manter o governo e se alguém não gostasse de você, delatá-lo seria o caminho. Ainda que fosse mentira. Mas as riquezas continuam sob esse solo e devagar as grandes empresas internacionais vão se instalando. Mas as cicatrizes deixadas são profundas. Precisa-se de muita boa vontade dos nativos e dos expatriados para que o Congo torne-se um lugar agradável. A cidade, já mostrada aqui vai ganhando asfalto novo, novos empreendimentos, residenciais, postos de trabalho vão se abrindo e as condições de vida melhorando. Quando marido veio pela primeira vez, inventou de tirar uma foto no Aeroporto e quase foi detido. Não pode, é proibido. Susto. Temos que nos adaptar. A foto não foi confiscada e registrou o momento de entrada do marido no país e o surgimento dos meus cabelos brancos. (Foto: Juan Carlos Ocampo)

O "botecão" ao qual eles chamam de Aeroporto é isso. Ontem registrei de longe. Não se engane com a simplicidade e falsa calmaria. Dia de semana pega fogo, é um entra e sai sem fim de pequenas aeronaves. Como as estradas são praticamente intransponíveis, para homens de negócio com pressa e funcionários que precisam ter seu tempo maximizado o transporte aéreo é a solução. Só a empresa que marido trabalha tem um vôo semanal para a África do Sul e mais três para a Zâmbia.

Graças a Deus estamos numa região onde os conflitos foram relativamente pequenos e está longe do estopim ao Norte do país. Segundo informações há uma barreira da ONU entre essa região e a nossa e a distância também é grande, aproximadamente 4000 Km. Em Lubumbashi é comum vermos aviões da UN. Em dois anos muitas coisas mudaram no quesito infra-estrutura, construções vão surgindo, as pessoas andam pelas ruas tranquilamente, são educadas e a paz parece reinar.

Esse futuro "alguma coisa" fica bem próximo ao nosso condomínio, acredito que será um residencial

E construções menores, nem por isso menos importante para o desenvolvimento da cidade. Qualquer dia desses vou tentar fazer fotos das zonas periféricas.

Acredito que a melhor forma de sentir que as coisas vão se ajeitando é apreciando o sorriso da molecada. Elas sempre fazem graça quando passamos.

Quando pensamos que temos problemas e vemos a dura realidade de alguns povos africanos, nos damos conta de que a vida tem sido muito generosa conosco. Deus abençoe o povo congolês e a todos nós. Beijocas e bom início de semana.




Oi taruga! Boa semana, te amo.
ResponderExcluirOi Taia.
ResponderExcluirA cada dia, aprendo algo... acompanhando vcs aí, lendo, vendo as fotos, eu sinto que este nosso mundo ainda tem tanto pra mostrar... revoluções que castigaram, agoram podem dar lugar á paz. As cicatrizes têm a chance de curar e nas suas marcas uma lembrança para que nunca se volte ao mesmo erro... que eles tenham aprendido algo de bom para o futuro dessas crianças...
Beijinho Taia, e inté ...
Boa semana minha linda, amamos vocês! ;-)
ResponderExcluirTomara Josi, infelizmente a população civil fica no meio do fogo cruzado e é quem paga o preço mais alto. Beijocas!
ResponderExcluirOi querida.
ResponderExcluirObrigada pelas visitas sempre.
Eu fico impressionada com a sua coragem.
Acho que eu não iria e nem iria deixar meu marido morar em algum lugar da África.
Ainda tenho muito medo dessas guerras civis que assolaram o continente e destruíram um terra tão especial.
Bjks e ótima semana pra vc.
oi Taia
ResponderExcluirTomara que a paz e a prosperidade continuem reinando, ninguém merce viver em guerra.
Acho o Medo a pior coisa do mundo...
essas cicatrizes ficam marcadas pra sempre. Fiquei emocionada com teu texto, consegues passar muito bem as emoções, és gente com G maiúsculo amiga...kkk
bjus no coração
Sei bem como é isso Lola, precisaram de topógrafos aqui e marido pediu para os colegas mandarem currículo. De quatro apenas um se interessou. Quase ninguém encara...mas usamos do bom senso. Não saímos para qualquer lugar, dirigimos com cuidado para não nos envolvermos em acidentes, andamos com os documentos sempre em dia e estamos sempre ligado em qualquer eventualidade. Nunca tivemos problemas, nem aqui e nem na Zâmbia. Beijocas!
ResponderExcluirOi Ana...obrigada. Sou gente tamanho GG...rsrsrs. Viver em paz é o que a grande maioria quer não é mesmo?! Beijocas e boa semana.
ResponderExcluirOi Taia, a gente é feliz, o Brasil com todos os problemas econômicos e de criminalidade ainda é um país que se tem relativa paz! Espero que tudo continue melhorando para o povo do Congo, que eles tenham melhores oportunidades e paz para viver melhor!Bjs
ResponderExcluirTaia, seus textos são sempre uma lição de vida.
ResponderExcluirNosso povo não sabe dar valor a terra que tem. Tão abençoada!
Aqui no Brasil, se arruma problema onde não deveria existir.
Se Deus quiser o povo congolês terá vida digna para sempre.
Que a guerra deixe esse continente viver!!!
Já mostrei a sala, viu?
Beijinhos e uma ótima semana.
Dani
Oi Taia...
ResponderExcluirAdorei o post de hoje, vc descreve com muita clareza td que vc vive...que DEUS esteja com vcs ai.
Ah, fiquei com o coração apertado em ver algumas cenas...mas enfim, isso mostra o quanto precisamos agradecer por td que temos não é mesmo?
Abraços, Dani SP (não consigo postar de outra forma a não ser anonimo rs)
Taia,
ResponderExcluirEstou aqui sem palavras. Ao olhar as fotos vem uma sensação de desolação, parece que falta vida. Fico pensando como você faz para se manter ocupada por aí e não se deixar abater pela realidade do lugar.
Grandes beijos
Ha Taia...o que voçê conta e meu marido traz também quando vai...embora mais raramente e muito triste....e muita pobreza e muita falta de estrutura....ele me contou quando voltou do Congo que saiu de lá de coração partido pelo que viu.....imagino voçê então que vê e vive de perto embora em uma redoma abençoada...mas e o preço de se ter um futuro estavel....e além do mais...voçê e seu marido não muiiiito apaixonados,são muito unidos...e uma grande amor...um não deixa o outro...isso e lindo...temos varios amigos que foram trabalhar na Inglaterra,E.U.A,Emirados e ao primeiro sopro do vento que não e fresco...pronto se separam....só o amor...um amor muito grande e muita união para unir os casais nesta situação.E no mais nê Taia...quando a gente diz *EU TE AMO* e faz aquele monte de promessas na igreja....a gente tem que cumprir....na saude e na doença(isso engloba varias fases da vida dos dois).
ResponderExcluirBeijinhos
Deusa
vasinhos coloridos
Cecília, realmente somos afortunadas por sermos brasileiras. São muitos os pontos positivos. Alimento em abundância, cultura riquíssima, belezas naturais, tolerância...tem muitos mais pontos positivos do que negativos. Eu amo o Brasil. Beijocas!
ResponderExcluirA princípio assusta sim Alexandre. Mas hoje já me sinto mais confortável e sempre recebo sorrisos quando saio a rua. As pessoas se adaptam, eles e nós. Beijocas e obrigada pelo carinho.
ResponderExcluirOi Dani, vou lá ver...realmente não sabemos o que é sofrimento e arrumamos chifre na cabeça de vaca. Vai entender. Um dia a paz chegará pelas bandas de cá. Beijocas!
ResponderExcluirAmém Dani. Não se preocupe em comentar como anônima, não tão anônima assim...rsrsrs. É dureza, não consigo imaginar como é sobreviver em algumas situações. Beijocas!
ResponderExcluirCíntia...não sei explicar ao certo, mas é um misto de desolação com pulsão. A vida é insistente. Sabe mata queimada cheia de broto? É mais ou menos assim. Dezenas de crianças semi nuas brincando no chão batido e sorrindo, mulheres lavando roupa no riacho e sorrindo...rudeza e beleza. É um sentimento ambíguo. Saio pouco, sempre acompanhada do marido ou de alguma amiga. Mantenho-me ocupada dentro de casa com os afazeres domésticos, navegando na net. Por isso a companhia de vocês fazem toda a diferença em meu dia a dia. Beijocas!
ResponderExcluirCasamento implica em perdas e ganhos né Deusa. Cada um tem que abrir mão de algo para poder chegar a um lugar comum. O amor é fundamental, e nesse quesito não posso reclamar. Marido e eu somos muito parceiros e temos uma família abençoada. Todos ajudam de algum modo. Levo muito a sério as promessas feitas no dia do nosso casamento, não casei só para brincar de casinha. Casei para ter um companheiro para a vida toda. E que assim seja, Amém. Beijocas minha querida.
ResponderExcluirTaia,
ResponderExcluirCompreendi perfeitamente, "mata queimada, cheia de brotos"...
Não há o que fazer a não ser ter esperança!
Beijos
Taiaaa adoreiii o novo lay do blog... lindissimooooooo... fofura total...
ResponderExcluirAdoro a essencia do seu blog, nos apresenta uma realidade que não é vista pelos brasileiros... perfeita as fotos, parabéns pela bela postagem...e pela parcela de contribuição que vc está deixando em Congo.
ResponderExcluirExatamente Cintia...independe de nós porque a mudança está neles. Há que ter esperança. Beijocas!
ResponderExcluirObrigada Jakeline...cheguei a esse layout porque perdi o outro...rsrsrs. Que bom que você gosta, é o meu olhar em particular que pode ser diferente do meu vizinho. Aqui ponho o que sinto, o que vivenciamos e o que aprendo. Parcela de contribuição consegui deixar na Zâmbia, aqui ainda é muito complicado pensar nisso. O máximo que faço é tentar abrandar de algum modo os perregues que a Clémentine (secretária do lar) passa. Beijocas!
ResponderExcluirOlá Taia!
ResponderExcluirMuito gostoso vir aqui e conhecer tantas coisas de um mundo que poucos conhecem. Não com os detalhes e as nuances que você coloca tão bem nos seus textos.
É uma aventura, não é?
Mas o que é a vida senão uma aventura?
Eu aprendi a lhe admirar e ao seu marido também.
Formam um casal especial!
Um beijo gostoso
Astrid Annabelle
Oi Astrid...muito obrigada. É um olhar muito particular. As outras mulheres que estão aqui saem, vão ao comércio, jogam vôlei, dançam salsa...enfim, levam uma vida completamente diferente da minha...mesmo morando no mesmo condomínio (nada de errado nisso). Eu sou observadora, gosto de registrar em imagens e memórias o cotidiano alheio porque de algum modo também faz parte do meu. O que pode parecer uma grande bobagem para alguns para mim funciona como o registro da minha história. É muito bom compartilhar com vocês nossa vivência. Sem falsa modéstia, maridão é ótimo...acredita que ele lê tudo que se passa por aqui? Inclusive os comentários...rsrsrs. Beijocas!
ResponderExcluirQue viva triste, e ainda reclamamos nao e?
ResponderExcluirBjs pra vcs e Deus os abencoe ai, e seus filhos aqui.
Bjs....
Taia, adorei o post de hoje, muito bom conhecer um pouco mais do Congo, visto por sua ótica. E que amor abençoado esse minha amiga, passar por alguns medos para estar pertinho do seu menino.
ResponderExcluirBoa semana para vocês.
Bjs!
Oi Taia,
ResponderExcluiramei o novo layout do blog! Sabemos da história de sofrimento e pobreza desse povo, vemos imagens terríveis e nos entristecemos, mas jamais poderemos ter noção do que eles passam ou já passaram, porque somos abençoados por não viver em locais como esse.
Beijos!!!
Também acredito que não tenhamos do que reclamar. Beijocas Wanilza e que Deus abençoe sua família também. ;-)
ResponderExcluirNá...não consigo ficar longe dele por muito tempo. Quando ele veio para a África ficamos nove meses longe e foi muito dolorido. Não quero nunca mais ter que passar por isso. Beijocas!
ResponderExcluirObrigada Viviane...com certeza somos abençoados por sermos brasileiras. A vida aqui não é fácil, especialmente para as mulheres. Beijocas!
ResponderExcluirOlá meus aventureiros queridos.
ResponderExcluirQuanta novidade aqui, um deleite.
Já viajei com vocês por tudo, aprendi muita coisa, adorei Egito...as compras...os hotéis...marido babando na banheira e outros detalhes peculiares.
Mas não posso deixar de me compadecer pela vida sofrida desse povo, e de também sentir ainda mais admiração por vocês dois.
Sei que rapadura é doce mas não mole não, porém tenho certeza que tudo vivido por vocês vale mais que qualquer pós graduação em renomadas universidades. Ninguém vai poder tirar de vocês o que estão acumulando de cultura, entendimento de vida, abdicação e sobretudo de união e companheirismo.
Muito antes do que possam imaginar, estarão curtindo as casinhas lindas que estão sendo cuidadas e aí sim poderão desfrutar da companhia dos filhos e pessoas queridas que de longe torcem por vocês, será o tempo da colheita minha amiga.
Fiquem com Deus , e recebam nosso carinho e solidariedade.
Beijinho.
ESse lugar está precisando de você: que tem uma energia boa, alma melhor ainda. Sua energia e sua positividade levam luz não só pra quem passeia virtualmente por aqui, como também para qualquer lugar onde você coloca os pés.
ResponderExcluirOi Fátima...você é sempre muito bem vinda. Obrigada por seu carinho, realmente temos muito a agradecer pela oportunidade e pelas conquistas advindas dessa oportunidade. Esse companheirismo diário fortalece nossa relação. Aqui somos um pelo outro e sim, se Deus quiser logo chegará o momento de desfrutar. Beijocas e fique com Deus vocês também.
ResponderExcluirObrigada Carmem...pelo menos a vida da Clémentine de algum modo ajudamos. E vocês que me acompanham com tanto carinho também fazem a diferença em meu dia a dia. Beijocas!
ResponderExcluirTaia,
ResponderExcluirneste meus estudos sobre a história da África a trajetória política e social do Congo é triste demais.Tomara há Deus que a vida dos nativos melhore de verdade.
O blog tá lindo heim flor!!!!!
Bjs.
eu já disse que vc é corajosa...beijo e paz!!
ResponderExcluirA província de Kivu é um caldeirão de pólvora e tem sido muito mais letal do que as grandes tragédias naturais...aqui Graças a Deus percebe-se que há boa vontade, ontem fomos ao açougue e vimos a quantidade de equipamento para infra-estrutura sendo entregue, a restauração da praça e assim vai...tomara que para as bandas de lá as coisas se abrandem também. Beijocas madame e obrigada pelo carinho.
ResponderExcluirBeijo e paz Marina! Obrigada pelo carinho. ;-)
ResponderExcluiroi Taia
ResponderExcluirsou gente tamanho gg, mas se não me cuidar vou parar no ggg...
bjus
Taia, seu blog também é cultura. Gosto muito daqui!
ResponderExcluirBeijão
Hehehe...digamos que eu esteja no mesmo caminho Ana...aiai, vida difícil. Beijocas!
ResponderExcluirObrigada Renata...também gosto muito do seu blog. Beijocas! ;-)
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